MUCUGÊ CHAPADA DIAMANTINA - BAHIA INFORMAÇÕES - GUIA DE TURISMO JOÃO

MUCUGÊ CHAPADA DIAMANTINA - BAHIA INFORMAÇÕES - GUIA DE TURISMO JOÃO

A cidade de Mucugê é uma das mais antigas da região da Chapada Diamantina, fundada no fim do século XVIII. A cidade foi um dos principais centros de exploração de ouro e de diamantes, assim como a famosa cidade de Lençóis, apresentando até hoje os casarões coloniais de estilo português.  Favorável para o Ecoturismo, Mucugê é um local bastante visitado por pessoas que apreciam o turismo cultural.

De arquitetura colonial totalmente preservada, e ruas bem limpas, chamam a atenção os seus jardins e canteiros muito floridos. O Alto do Capa Bode é considerado um local de contemplação, onde habitantes e visitantes garantem ali terem avistado OVNIs - Objetos Voadores Não-Identificados. Mucugê oferece também locais de rara beleza, como cachoeiras, paisagens, vales e cânions, histórias de lutas pela posse do garimpo, de defesa contra a invasão da Coluna Prestes e de destemidos 

 

Saindo de Salvador pela BR- 324 até Feira de Santana 110 km, seguindo na direção de Vitória da Conquista pela BR 116, após 72 km deixar essa rodovia. Dobrar à direita antes da ponte sobre o rio Paraguaçu, pela BR 242 até Itaberaba (85km), mais 80km até o posto da Policia Rodoviária Federal, aí dobrar a esquerda no sentido Andaraí e Mucugê, pela Ba 142. Percorrer 90 km até Mucugê.

Outra opção é sair de Salvador pela BR- 324 até Feira de Santana 110 km, andar 3 km pela BR 116, dobrar à direita na estrada do feijão no sentido Ipirá, 100 km até Itaberaba,(76km) mais 80km até o posto Policia Rodoviária Federal aí dobrar a esquerda no sentido Andaraí e Mucugê. Pela Ba 142 percorrer 90 km até Mucugê.

 

Ônibus

O visitante poderá utilizar a viação Aguai Branca, a única que faz o roteiro Salvador a Mucugê. O passageiro tem à sua disponibilidade o ônibus que parte de Salvador todos os dias, às 8h e as 20h30, além dos carros extra, sempre na alta estação. A viagem dura cerca de 8 horas.

 

Disque Águia Branca

0800 725 1211                                                                                                           

 

O visitante poderá utilizar a viação Novo Horizonte ou Emtram , as únicas que faz o roteiro Vitoria da Conquista a Mucugê. O passageiro tem à sua disponibilidade o ônibus que parte de Vitoria da Conquista todos os dias, às 7 horas,

A viagem dura cerca de 8 horas.

 

http://www.novohorizonte.com.br/                                                         

http://www.emtram.com.br/                                                                                           (77) 2101-8303 / 2101-8306

 
http://www.aguiabranca.com.br
 
 
O visitante poderá utilizar a viação Novo Horizonte ou Emtram , as únicas que faz o roteiro Vitoria da Conquista a Mucugê. O passageiro tem à sua disponibilidade o ônibus que parte de Vitoria da Conquista todos os dias, às 7h, 
A viagem dura cerca de 8 horas.
 

O Projeto Sempre Viva                                             

Localizado no município de Mucugê, Chapada Diamantina - Ba, o Projeto Sempre Viva, é o mais bem sucedido projeto da linha PED- Projetos de Execução Descentralizada, firmado pelo convênio MMA/PNMA/PED 96CV 00027/96, que integrou várias esferas do poder público, na construção de tecnologias e infra-estrutura para gestão dos recursos naturais, sendo os parceiros: o Ministério do Meio Ambiente, o Governo do Estado da Bahia, a Universidade Católica do Salvador, a Universidade Estadual de Feira de Santana, a Caixa Econômica Federal e a Prefeitura Municipal de Mucugê, que se empenharam para preservar e reproduzir uma variedade de sempre viva ameaçada de extinção, a Syngonanthus mucugensis Giulietti, ou sempre viva de Mucugê, implantando um moderno sistema de informação geográfica, proporcionando educação ambiental para escolas, implantando o Parque Municipal de Mucugê e promovendo o ecoturismo, com a preocupação de preservar o meio ambiente do município de Mucugê onde se tornou, um Centro de Excelência para a conservação da Chapada Diamantina, implicando na geração e distribuição de renda, qualidade de vida da população e servindo de modelo de sustentabilidade para o Brasil e para o Mundo.

 O município de Mucugê localizado na microrregião da Chapada Diamantina surgiu por volta de 1844, quando foram descobertas jazidas de diamantes nos leitos dos seus rios, provocando uma desenfreada corrida em busca de pedras preciosas, que mais tarde deu origem ao Ciclo Diamantífero que durou por mais de um século. O município possui uma área de 2.535 km² e apresenta uma população de aproximadamente 17.000 habitantes. A sede do município, devido um conjunto arquitetônico bem preservado e suas características coloniais, onde inclui a mais nobre relíquia do ciclo do diamante, oCemitério Santa Isabel em Estilo Bizantino, único do Brasil a ser tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (ISPHAN, 1980). Mucugê também abriga 52% do Parque Nacional da Chapada Diamantina com grande potencial turístico natural e histórico.
 Com o declínio do Ciclo Diamantífero, a coleta das sempre vivas exportadas principalmente para o Japão, Estados Unidos e Europa, tornou-se a principal atividade econômica das populações carentes de Mucugê e de seu entorno, que durou por mais de trinta anos. Devido a uma atividade de extração sem controle, a espécie foi dizimada em muitos campos, pondo em risco de extinção esta planta.  Assim, o Projeto Sempre Viva veio com o propósito de proporcionar uma atividade de reprodução, suficiente para criar uma alternativa na geração de renda para a população carente, através do artesanato com caráter sustentável, econômica e ambientalmente, garantindo a sobrevivência da espécie, repovoando os campos onde a espécie quase que desapareceu.
A área de preservação do Parque é estratégica para o abastecimento hídrico do Estado, (Rio de Contas e Paraguaçú), constituindo a principal área de carga destes mananciais e apresenta fatores relevantes como espécies endêmicas. Este Parque é um produto do Projeto destinado a proteger ecossistemas de Refúgio Ecológico Montano de vegetação rupestre de domínio fitofisionômico, que apresenta uma espetacular flora descrita por Magalhães (1966, citado por Standard, 1995), cuja ocorrência é restrita a locais altos e de temperaturas frias. Em 1996, Harley & Simonns, estudaram e caracterizaram a flora de Mucugê, apresentando para a comunidade científica, a grande importância da área para os estudos botânicos. Nesta região ocorre um fenômeno raríssimo que os ingleses denominam de “species pump” dos campos rupestres, expressão que significa bomba geradora de espécies.

O Parque abriga ainda, um alto grau de endemismo, e diversos registros históricos do período diamantífero que ocorreu no Município de Mucugê. O trabalho árduo de uma massa de mão-de-obra em busca do diamante na Serra do Sincorá resultou em trilhas, tocas, muralhas e outras construções, alterando todo o relevo da região. Hoje, esse local revegetado naturalmente, compõe um belo cenário paisagístico e constitui um patrimônio histórico para o município. As cachoeiras do Tiburtino e Piabinha formam um belo conjunto cênico (entre os canyons formados nos leitos dos rios, muito típicos da Chapada Diamantina), representam atualmente grandes atrativos ecoturísticos. 
A área que está inserida este projeto corresponde às imediações do Parque Nacional da Chapada Diamantina, onde são encontrados ecossistemas peculiares associados a patamares de altitude, com cotas superiores a 1.200 m, cuja vegetação predominante associa-se a campos de altitude (gerais) e domínios rupestres, conceituado por Clements (1949, citado pelo Governo do Estado da Bahia, 1993) como "Comunidade Relíquia", e por Veloso & Goes-Filho como "Refúgio Ecológico".

 

Museu do Garimpo Histórico
A descoberta do diamante no Brasil ocorreu em 1729, nas lavras do Tijuco, Mg – atual Diamantina - para onde atraiu um grande contingente de mineradores, quando o governo português permitiu a livre extração, até 1739, através do pagamento do quinto. Novas descobertas de garimpos surgiram forçando ao governo de Portugal a só consentir a extração por contrato, até 1739, e posteriormente estabeleceu o monopólio, a partir de 1771. Com este regime a extração clandestina intensificou induzindo ao contrabando, sobretudo para a Holanda, Inglaterra e França, mesmo assim as estatísticas oficiais assinalavam que o Brasil ainda era o principal produtor e exportador de diamante até o final do século XIX, desde então só superado pela África do Sul.

A Bahia participou deste importante ciclo econômico, pouco antes do meado desse século, onde esta atividade teve um importante papel na atividade sócio - econômico e política, além de contribuir com a expansão demográfica e povoamento de zonas inabitadas. A descoberta na Chapada provocou um fluxo migratório sem precedentes, oriundo de antigos centros de mineração diamantífera de Minas Gerais e de muitas atividades auríferas na Bahia, tendo como conseqüência o despovoamento de importantes centros urbanos como Diamantina e Serro, em Minas Gerais e Rio de Contas, na Bahia.

Com a queda de preço do diamante no mercado internacional, foi preciso conter a produção, assim em 1731, o vice-rei e governador geral do Brasil, Vasco Fernandes de Menezes, o Conde de Sabugosa - por Carta Régia proibiu a exploração de diamantes na Bahia, onde começaram a surgir evidências de achados. Com isto, os registros históricos são muitos controversos a respeito da descoberta do diamante na Bahia. Os resgates mais antigos afirmam que, em 1817 ou 1818, o capitão-mor Felix Ribeiro de Morais encontrou diamantes na Serra do Gagau, conhecida como serra do Bastião, próximo às fazendas de gado, onde posteriormente surgiu a vila de Mucugê, cuja descoberta é atribuída ao pajé de uma tribo. Acredita-se que dada à proibição da corte, guardou-se segredo sobre o achado.

Seguem-se muitas referências a possível presença do diamante pelos naturalistas alemães Spix e Von Martius, em 1821, que ao examinarem as rochas da serra do Sincorá, na vila do Sincorá, atualmente Sincorá Velho, reconheceram os terrenos diamantíferos semelhantes aos do Arraial do Tijuco, englobando ainda os municípios atuais de Mucugê, Andaraí, Lençóis e Palmeiras.

Publicação de trabalho do geólogo e cientista Orville Derby, em 1882, faz referência à descoberta do primeiro diamante na Chapada, por José de Matos, em 1840, próximo à vizinhança de Santo Inácio, na Chapada Velha. Outras descobertas foram registradas, em 1841, na serra do Assuruá, município de Gentio do Ouro, em 1842, na serra das Aroeiras, em Morro do Chapéu, tornando-se mais tarde um grande produtor e na vila de Bom Jesus do Rio de Contas, hoje sede do município de Piatã, onde foi encontrado o maior diamante dos sertões baiano.

Mas o dado mais significativo é revelado por Theodoro Sampaio, que somente a partir de 1844, a mineração de diamante tomou rumo com a descoberta feita por José Pereira do Prado, o “Cazuza do Prado”. Morador da Chapada Velha que ao percorrer as terras marginais do ribeirão Mucugê, reconheceu o local do terreno como propício e ao fazer um ensaio de algumas horas extraiu grande quantidade de pedras de alto valor. Diz também a história que o diamante foi acidentalmente encontrado em 25 de junho de 1844, por Cristiano Nascimento, afilhado de Cazuza, ao lavar as mãos no leito do riacho Mucugê afluente do rio Cumbucas.

Uma variante desta versão assinala que já na primeira investida, Cazuza encontrou alguns diamantes de fina água neste riacho. Entusiasmado, juntou-se, a alguns amigos e parentes numa expedição de 14 homens e começou a explorar o garimpo, pegando em poucos dias uma boa quantidade destas pedras. Precisando comprar mantimentos, enviou um dos seus colegas, seu melhor amigo chamado Pedro Ferreiro, à Chapada Velha para que este pudesse vender parte do tesouro já encontrado. Seu amigo foi preso e acusado de roubar algum comprador, pois se tratava de gemas de pureza jamais vistas e para se livrar da prisão, o suspeito foi obrigado a revelar o segredo da origem das mais cobiçadas jóias.

Há também outras versões que corroboram com esta versão sendo este o local ou região para onde afluíram dezenas de milhares de aventureiros, faiscadores e garimpeiros de todos os rincões onde aí se espalharam. Calcula-se que 25 mil pessoas foram para lá, aglomerando-se em povoados, onde muitos se transformaram em vilas e posteriormente em municípios – Mucugê, Andaraí, Lençóis e Palmeiras, designada com a região das Lavras Diamantinas.

O Ciclo do Diamante no Brasil durou cerca de 150 anos, da segunda metade do século XVIII até o final do século XIX, quando o País foi o maior produtor mundial. A produção na Bahia foi iniciada em 1844 e seu apogeu perdurou apenas até 1871, com declínio da produção e queda de preço que coincidiu com a expansão das jazidas da África do Sul, descobertas seis anos antes. O colapso da região só não foi maior porque ao lado do diamante passou a ter valor o carbonado ou carbonato usado na indústria e na perfuração de rochas, sobretudo durante a abertura e construção do Canal do Panamá.

1.2. Instituições Envolvidas
Três instituições foram envolvidas na formulação e montagem do Museu Vivo do Garimpo que são: o Museu Geológico da Bahia com sua participação técnica na elaboração do projeto museográfico; a Prefeitura Municipal de Mucugê, onde teve inicio as primeiras frentes de extração do diamante na Chapada, a qual está capacitada para sediar e ser a receptora e mantenedora do mesmo; e o Projeto Sempre Viva, o qual já dispunha de infra-estrutura que foi ampliada e adaptada para abrigar as diversas unidades do Museu Vivo:

A implantação do Projeto “Museu Vivo do Garimpo” justifica-se pela razão de resgatar parte da história do diamante. Deste modo, reconhece o papel desempenhado pela força de trabalho do garimpeiro, que na labuta do dia a dia, para a busca do dinheiro visando o sustento da família ou na ilusão de ficar rico, desempenhou um papel de grande importância social e econômica. Com isto, foi responsável pela exploração e desenvolvimento de riquezas para a região, além da expansão demográfica com a fixação e o desenvolvimento de diversos núcleos urbanos.
E a proposta de um Museu Vivo no lugar onde teve início a exploração do diamante na Chapada, reveste-se de uma precisão histórica no local onde teve inicio as explorações e daí se expandiu na região, tornando-se conhecida como “Lavras Diamantinas”. Portanto:

“Resgatar a história vivenciando a atividade do garimpeiro é tornar-se espectador dos fatos”

Do ponto de vista administrativo a Prefeitura de Mucugê está desenvolvendo uma linha de ação turística voltada para o setor cultural, educativo e científico.

OBJETIVOS
O objetivo deste projeto é difundir a cultura das atividades diamantíferas na Chapada Diamantina, através do Museu Vivo do Garimpo. Em particular tentar resgatar parte da história dos garimpeiros mostrando como tudo iniciou no local, o apogeu deste importante ciclo econômico do país, onde a Bahia, em especial a Chapada Diamantina, vivenciou um curto período de transformação e riqueza e cuja fase de declínio repercutiu na economia mundial.

mucuge.ba.gov.br/

 

O Parque Nacional da Chapada Diamantina é guardião de muitas riquezas naturais, ocupando cerca de 152 mil hectares, um dos maiores Parques de Preservação do país.
 
Em 1985, através do Decreto Nacional n?91.655, foi criado o Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD) para a preservação das belezas cênicas do local. Porém, o grande objetivo da manutenção do parque está na preservação das suas nascentes e de um banco genético importantíssimo para a pesquisa científica e para a conservação da biodiversidade. De acordo com o coordenador da unidade de conservação, Christian Liel Briilintk, foram catalogadas no Parque 200 espécies vegetais endêmicas e 50 animais. Atualmente o PNCD é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação Ambiental, uma autarquia ligada ao Ministério do Meio Ambiente, que trabalha exclusivamente em prol das áreas de preservação e possui duas linhas básicas de atuação: a fiscalização e a pesquisa.
 
Porém, a conscientização da população também tem sido uma das frentes de trabalho realizadas em parceria com os movimentos ambientalistas. Nos últimos anos, a sociedade civil tem se organizado significantemente para a proteção do lugar. Um dos exemplos está no GAP (Grupo Ambientalista de Palmeiras) e no GAL (Grupo Ambientalista de Lençóis). Além do apoio dado pelas 14 brigadas voluntárias e pelas ACVs (Associações de Condutores de Visitantes) espalhadas pelos municípios ao redor do parque. Junto a órgãos públicos como o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária), uma das ações do instituto tem sido a regularização fundiária. Fazendeiros e até comunidades tradicionais estão desapropriando o local, de forma pacífica, para contribuir com a sua preservação.
 
 Fauna e Flora da Chapada Diamantina
A vegetação predominante da Chapada é conhecida como campo rupestre, que em geral é mais rasteira, porém é considerada um dos ecossistemas mais ricos do mundo, comparável à Mata Atlântica e à região do Cabo na África do Sul. Nele é possível encontrar mais de 100 tipos de orquídeas, inúmeras bromélias, cactos, begônias, trepadeiras e sempre-vivas, que podem ser apreciadas de abril a agosto. A variedade de animais também é imensa, principalmente as aves, que são mais de 250 espécies.
 
O beija-flor-gravatinha-vermelha é endêmico na Chapada Diamantina e habita áreas superiores a mil metros de altitude. Nas matas chapadenses também vivem o tamanduá bandeira, o macaco prego, a jaguatirica e muitos outros animais.
 
 Geologia da Chapada Diamantina
Há cerca de 1,8 bilhão de anos, aqui onde hoje é sertão já foi banhado pelas águas do mar. A Chapada foi coberta pelo oceano até que um choque de placas tectônicas criasse as profundas fendas e depressões que compõem atualmente a geologia da região. Assim iniciou-se a formação das serras sedimentares através da ação dos ventos, rios e mares, que juntaram pedacinhos de diversas pedras e desenharam as paisagens locais criando a Bacia do Espinhaço, com elevações de formatos bem diversificados. A região está dividida geograficamente entre várias serras, como a Serra de Rio de Contas, do Bastião, da Mangabeira, das Almas e do Sincorá. Elas são as divisoras de água entre a bacia do Rio São Francisco, Rio de Contas e o Paraguassu, que desaguam no Oceano Atlântico.
 
 Águas da Chapada Diamantina
Aqui é o berço de 50% dos rios que banham o Estado da Bahia, tendo como o seu principal o Rio Paraguassu, fundamental para a vida no semiárido baiano. E como não poderia deixar de ser, as águas da chapada também são inusitadas. É possível nadar em águas muito escuras e em águas ultra transparentes. Porém, todas são limpas. Essas águas negras são como “um chá natural gigante”, compara o biólogo Roy Funch, um dos principais responsáveis pela criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina.
 
Clima
Um dos quesitos mais agradáveis da Chapada Diamantina é o clima. Alguns municípios como Piatã, que possui o pico mais alto do nordeste brasileiro, e Morro do Chapéu, atingem temperaturas de até 10ºC no inverno. Os municípios de Andaraí, Lençóis, Mucugê e Palmeiras recebem a maior parte das chuvas entre os meses de fevereiro a junho, e também possuem baixas temperaturas durante a noite. Porém, o protetor solar é indispensável, até nos dias nublados. Mesmo no inverno, o sol reina e as temperaturas são em torno de 25º C a 30º C.
 
História da Chapada Diamantina
 
Os primeiros habitantes da Chapada Diamantina foram os índios. No século 17 chegaram os negros e os portugueses, que iniciaram uma economia baseada na exploração da agropecuária, e mais tarde, no garimpo de diamantes.
 
A Chapada foi sendo povoada gradativamente por grandes fazendas e comunidades quilombolas ¹, até que foram descobertos o ouro e o diamante, iniciando o ciclo do garimpo. A exploração do ouro perdurou por quase um século. Nessa época, foi construída a chamada Estrada Real para transportar o minério, que ligava a Chapada de Norte a Sul, de Jacobina a Rio de Contas. Com o declínio da produção aurífera, começa a exploração dos diamantes, responsável por trazer uma nova povoação à região, negociando com mercadores franceses, ingleses e alemães, mas que durou apenas 26 anos. A exploração da pedra começou em Mucugê, expandindo-se para o norte e para o sul, criando novos povoados, como Barra da Estiva, Rio de Contas, Igatu, Andaraí, Lençóis até Morro do Chapéu, definindo assim a região que passou a ser denominada de Chapada Diamantina, fazendo alusão à abundância do mineral e a sua formação geológica.
 
Por volta de 1870, o ciclo do diamante entra em decadência e no início do século 20, o diamante de aluvião se esgota e se inicia a era dos coronéis, em que as famílias dominantes disputavam o poder sobre o território. A principal figura desta época foi a do Coronel Horácio de Mattos, com memoráveis participações históricas, incluindo a ligação com Lampião ² e a perseguição à Coluna Prestes ³.
 
Entre 1980 e 1996 a economia da região foi reaquecida com base na extração mecanizada de diamante, que foi finalmente proibida com a criação do Parque Nacional da Chapada Diamantina, dando início ao turismo.
 
¹ Comunidades remanescentes de quilombos, onde os escravos se refugiavam.  ² Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, foi o principal integrante do Cangaço, movimento do nordeste brasileiro (início do sec. XX) marcado por ações violentas. ³ Movimento político-militar, existente entre 1925 a 1927, que percorreu mais de 24 mil km no interior do Brasil pregando reformas político-sociais e lutando contra a República Velha.
 
 Tradições
A cultura da Chapada Diamantina é rica e diversa, tornando-se uma das principais características do local. Ela foi tecida, como uma renda de bilro, pelos índios, negros e portugueses, materializando-se em muitos mitos, cores, alegria, música e dança. As suas manifestações tradicionais mais importantes estão extremamente ligadas a festas religiosas e, geralmente, trazem heranças das crenças dos garimpeiros ou dos rituais dos escravos. Hoje, elas ocorrem, com mais frequência, em comunidades rurais isoladas. Conheça algumas delas:
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Jarê
O Jarê é uma religião de matriz africana, mais especificamente um candomblé de caboclo, que existe exclusivamente na Chapada Diamantina, em alguns dos seus municípios. Uma de suas principais particularidades é o grande sincretismo religioso, com influência do catolicismo, da umbanda e do espiritismo kardecista. As origens do culto ocorreram em meados do século 19 e estão ligadas ao período da mineração, sendo muito praticado pelos garimpeiros. Atualmente, é possível conhecer o Jarê no Palácio de Ogum, uma casa de santo situada em Lençóis, na região do Capivara, onde é possível acompanhar as festas dos orixás.
 
Marujada
Um grupo de homens vestidos de branco e azul, como marujo, general e capitão, desfilam pelas ruas cantando e dançando músicas que fazem alusão ao mar, as batalhas, as cidades portuguesas e a algum santo da Igreja Católica. Em Lençóis é possível conferir esse ritual na Festa do Senhor dos Passos._
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Folia de Reis
Se em Salvador a onda é “ir atrás do trio elétrico”, na Chapada Diamantina o costume é seguir o cortejo, principalmente o da Folia de Reis, em que um grupo de pessoas sai de porta em porta para homenagear os três reis magos, geralmente de 24 de dezembro a 6 de janeiro. Eles levam instrumentos como pandeiro e violão, para cantar, tocar e dançar enredos que falam sobre amor, guerra e paz.
 
_Raiz do samba
O Samba de Roda, a variante mais primitiva desse estilo musical, emergiu no recôncavo baiano no século 19, sendo uma das principais manifestações das comunidades tradicionais da Chapada Diamantina. Seu som contagiante, dançado pelas belas baianas com suas saias rodadas, é produzido por um conjunto de pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho, e foi considerado Patrimônio Imaterial da Humanidade pela Unesco. O Samba de Roda também foi um forte propagador dos conhecimentos da cultura africana, como o culto aos orixás e a capoeira.
 
Capoeira
A capoeira está presente no dia-a-dia dos moradores da região. Em praticamente todos os municípios da Chapada Diamantina existem grupos que se apresentam nos centros das cidades, geralmente aos finais de semana.
 
 
Como Chegar:
 
ÔNIBUS (a partir de Salvador)
 
Para Lençóis e Palmeiras/Vale do Capão
 
Real Expresso 0800 600-1155
 
www.realexpresso.com.br
 
Para Andaraí/Igatu, Ibicoara e Mucugê
Viação Águia Branca 0800 725-1211
www.aguiabranca.com.br
 
Para Rio de Contas (Sul da Chapada)
Viação Novo Horizonte (71) 3450-2224 / 5557
www.novohorizonte.com.br
 
VIA AÉREA
 
De Salvador para Lençóis
Voos regulares para o Aeroporto Horácio de Matos (Lençóis).
Trip Linhas Aéreas
0300 789-8747 / 0800 722-8747
www.voetrip.com.br
 
Tempo de viagem 
Saindo de Salvador de avião para Lençóis, o voo tem duração de apenas 45 minutos. Já o percurso de ônibus dura em média sete horas e de carro são aproximadamente cinco horas.
 
Telefones úteis
 
• Disque Bahia Turismo 55 (71) 3103-3103
• Aeroporto Horácio de Matos (Lençóis) 55 (75) 3625-8100
• Aeroporto Internacional Dep. Luis Eduardo Magalhães  (Salvador-BA) 55 (71) 3204-1010
• Real Expresso Lençóis (Rodoviária) 55 (75) 3334-1112
• Real Expresso Itaberaba (Rodoviária) 55 (75) 3251-1952
• Rodoviária de Vitória da Conquista 55 (77) 3423-1724
• Rodoviária de Salvador 55 (71) 3616-8357 / 8300